quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Desejo [repostagem]

Reposto o poema, com modificações:

Desejo que todas as portas estejam abertas quando eu quiser passar,
que todas as janelas dêem pro Cristo
e que às sextas-feiras eu não precise insinuar que quero tê-la;

Desejo que sempre possa atravessar as passarelas sozinho,
que as árvores dêem maçãs
e que aos sábados eu não precise escrever poemas às onze horas da noite;

Desejo que meus vícios estejam abertos quando eu quiser passar,
que todos os meus silêncios dêem pro Cristo
e que todos os domingos a TV não precise insinuar o poder de ter-me;

Desejo que nos carnavais eu não precise atravessar a passarela,
que os rostos que eu beije sejam maçãs
e que as segundas-feiras não precisem ser as onze horas da noite;

Desejo que as manhãs abram portas para rostos (que eu beije).
que os meus vícios dêem pro Cristo
e que às terças-feiras, nos intervalos da vida, eu possa tê-la;

Desejo que todos atravessem a rua e eu a passarela,
que todas as janelas dêem carnavais
e que as quartas-feiras sejam maçãs pro Cristo;

Desejo que mordamos maçãs quando eu quiser tê-la,
que o Cristo silencie quando eu beijar meus vícios
e que as quintas-feiras sejam intervalos da vida;

e que os intervalos da poesia escrevam dias.

Um comentário:

Clay disse...

Cara, muito foda, já reli umas 10 vezes e não paro de me impressionar. Muito bom, arrepiei.