segunda-feira, 31 de março de 2008

Pode acreditar que eu morri

Pode acreditar que eu morri.
Será menos sofrível para mim,
como será também para ti.

Pode tampar o velho baú,
jogar ao mar recordações,
Que já não guardam corações.

Pode abrir a porta que me recusaras.
Já não estarei na outra face.
Não será possível me reviver.

Pode contar com o meu silêncio,
pois em meu leito serei relento,
e seu veneno não será canção.

Pode trocar os móveis de lugar,
jogar fora as roupas mortas,
que vida não mais é minha substância.

Pode fugir de minha physis,
que minha alma flameja sanha,
maior que a vida,
a inconstância.

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