Tem bons modos, apesar de não rebuscados por figuração.
Meus poemas tem vontades próprias,
mas são, como eu, gentlemans!
São distintos e só querem agradar.
Sim, meus poemas tem pose.
Nasceram, é certo, na região metropolitana do meu corpo,
onde se juntam miseráveis e notáveis numa harmonia indubitável,
duvidam?
E dessa harmonia inusitada vagam, como homens que são,
pelas ruas dos corpos-violões,
pois têm melodias.
Eles querem é viver.
Meus poemas não são hipócritas,
embora alguns o digam.
Irônicos? Jamais.
São distintos e só querem agradar.
Falam das belezas, cavalheiros que são.
Mas eles não obedecem a mim.
Nem a si próprios.
Meus poemas têm vontades inexplicáveis.
Mas são gentlemans, e sendo gentlemans
não há problemas em deixá-los por aí
declamando-se e declamando-se.
Ah, mas meus poemas são como os jovens,
cheios de vida, com desejos e desejos fugazes.
Mas são gentlemans.
Meus poemas não usam palavras de baixo calão.
Não são o fino das letras, não são a prudência em pessoa, mas são suficientemente corteses.
Mas são poemas do século XXI... estranhos e meio perdidos em identidade...
São discretos pois não querem estardalhaço...querem ser vistos por quem lhes convém...
Às vezes até eu mesmo não entendo meus poemas...
quem eles querem dizer, ou melhor, o que eles querem dizer...
Eles me enganam... Mas são gentlemans.
Não tripudiam, não repudiam, não maldizem nem escarnecem...
Meus poemas são criaturas doces, distintas
que só querem agradar.
E são, por isso, gentlemans, e gentlemans que são, começam e terminam
cordialmente.
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