terça-feira, 10 de junho de 2008

Mas de que ri essa lua?

Mas de que ri essa lua?
Pode algo tão grandioso ficar aí de cima, me humilhando,
com essa boca gigante a cada vez que falho na vida?
Vê se pode ter que olhar para o céu para pedir misericórdia e dar de cara com esse sarcasmo todo.
Ora, lua, vê se se mingue, não vê que não há porque rir?
Se me dizes que é sincero esse sorriso como posso acreditar se nem pra me dizeres isso o desfaz da sua boca?
Não me venha dizer que é por puro otimismo que não caio nessa. Já acompanhaste toda a história do mundo e a minha também, exceto quando somes, de vergonha talvez. E se já sabe de tudo, de que ri? Não é sarcasmo? Ora, dissimulada, nem de rabo de olho posso observar o infinito que me ficas aí nesse dente esbugalhado, que me segue e vezenquando se esconde em uma ou outra nuvem que dorme. Não venha com essa que sei que está aí...só surges nessas noites que mais me dano, que mais me erro... depois vem me falar de ciclos lunares, coisas da natureza...nãnãninãnão. Queres é me apontar e dizer: lá vai o errante errar novamente... estou aqui te ouvindo dizer essas coisas...disseram que era perda de senso ouvir estrelas. Você deve ouví-las, não? conversar com elas? não sabe que elas precisam ser amadas? mas você só faz ofuscá-las...eu ouço estrelas, elas me contam de ti, matreira...acho que são suas as traiçoeirices que me lascam... estou errado?
Ora, direis, fico apenas aqui, rindo, fazendo a felicidade dos músicos, dos poetas, dos pescadores, dos astrônomos...vens me responsabilizar pelos males de sua vida? que culpa me recai se fico tão quieta aqui no meu cantinho?
Mas ah, vem me dizer isto com esse sorriso safado no rosto? e quer que eu acredite?
Ora, direi, vá catar estrelas!

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