sexta-feira, 4 de julho de 2008

À ausência

Cada um
em seu degrau,
em sua escada,
em seu andar.
acima dos arranha-céus subiam,
subindo certos de que seriam
altos o suficiente para irem alto o suficiente
e voarem como águias, únicas, livres.

Pensavam o mesmo pensamento.
O alto de seus orgulhos.

Subiam,
e abriam asas,
pois eram anjos.

Voavam, não eram águias.
Eram anjos, e mais subiam, subiam, subiam,
impossibilitados de caírem.

Subiram a subida dos anjos,
cada um em sua auréola,
cada um em sua nuvem,
acima dos céus alheios, alheios,
embora pensassem mesmo pensamento.

Cada um, porém,
presente, irredutivelmente,
na ausência da alma outra.

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