domingo, 13 de julho de 2008

Elogio ao acidente

As verdades não têm graça.
Nem os sorrisos.
Muito menos os elogios à certeza,
os vivas , as palmas.

O que nos atrai nesse explodir de ogivas pós-modernas
São os acidentes, as omissões
e os descaminhos da vida pública e privada.

Os socos e os arranhões provocam mais prazer que os beijos e os chupões no pescoço.
Prefere-se dizer fim ao dizer sim
que dizer sim ao dizer não.
Prefere-se, minha nossa, cantar pra matar
que morrer pra cantar.

O mundo é desconserto!
é o próprio elogio à loucura.
Tudo às avessas.

Confie no mundo que na primeira oportunidade ele te devora num terremoto.
Confie nos homens e na primeira oportunidade você se verá no homem.
E verá a própria desconfiança.
"Até tu, Brutus, meu filho" dirás para tua sombra.

O mundo é o próprio silêncio.
O fim do concerto.
O desacerto.
Não, o mundo não é o erro, pois senão seria lugar-comum.
O mundo é desapego

deselegante o mundo...
Já viram como a terra não é redonda, mas oval?
Que nada explica a existência dos homens e das coisas?
Prenúncio do horror e da desordem.

O mundo é um elogio à insanidade
e vivemos diariamente como se fosse a coisa mais vã do mundo.
E rimos e comemos, cortamos as unhas dos pés
como se fôssemos as coisas mais vãs do mundo.
E dizemos não ao dizer sim, e dizemos fim ao dizer sim.

E assim dizemos verdades e sorrimos,
tendo a certeza que conquistamos a cada dia um degrau mais acima.
E conquistamos até, quem dirá que não?

O mundo é um acidente!

Eu é que sou lúcido...elogiar é coisa de quem tem juízo...
Não vou questionar nada que é coisa de gente besta,
gente que quer pensar, como se fosse a coisa mais sã do mundo...

Nenhum comentário: