sexta-feira, 11 de julho de 2008

A fotografia

Como queria tele-transportar-me para aquela cena, meu Deus.
Como queria que esse transe me fizesse acordar do outro lado dessa imagem aterrorizante.
Como queria rasgar essa fotografia tão bela, pretérita.
Fosse eu Tutankamon, ainda assim não teria me abstido de ser revelado.
Fosse eu Monalisa teria me suicidado.
Fosse eu Narciso, coitado de mim, impenetrado.

E ela está ali, eterna, rindo do lapsante tempo daqueles sorrisos.
Linda, terrível, meu Deus, terrível.
Não há mais que a menor unidade de tempo ali, fragmento, sacralizado.
Poeticamente não há mais que a menor unidade de tempo naqueles sorrisos.
Não há.
Silenciosa, ela se perpetua, inesquecivelmente.
Terrível inesquecível.
Terrível hipnose, terrível musa, terrível inspiração.
A menor unidade de tempo.
A menor unidade de tempo.
Como eu fui feliz!

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