domingo, 6 de julho de 2008

Perigo

Mudei de humor hoje umas cinco vezes.

Sorri uma vez.
Cantei palavras e declarações perigosas
deixei de buscar os propósitos da vida.
Encontrei no alheio
interrupções fulminantes de felicidade.


Mudei de rima umas dez vezes hoje

e rasguei todas elas
Tentei realmente buscar no outro os versos do real.
Percorri inversamente o futuro
e cheguei à exata zero hora de hoje
sem música, sem poesia.


Mudei de amor umas quinze vezes hoje,

e entendi uma vez
Que é perigoso querer desvendar os pressupostos da verdade
É perigoso querer amar sem entender as conjecturas dos labirintos
É perigoso, tome cuidado com sua saúde,

É perigoso acreditar.
acreditar que o amor está preso ao corpo
o meu por, exemplo, vaga livre entre-corpos


Mudei de rumo umas vinte e sete vezes hoje,

mas não narrei nenhuma
É perigoso recitar os versos que escrevi, que escrevestes, que escreveram
É perigoso confiar até em si, quando o aquém te rouba o real.


Mudei de mim umas cento e cinquenta e cinco vezes hoje
E enlaçado em vários etecéteras,
Não me encontrei
nenhuma.

(30/06/2007)

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