sábado, 12 de abril de 2008

Desejo.

Desejo que todas as portas estejam abertas quando eu quiser passar
que todas as janelas dêem pro Cristo
e que às sexta-feiras eu não precise insinuar que quero tê-la;

Desejo que sempre eu possa atravessar as passarelas sozinho
que todas as árvores dêem maçãs
e que aos sábados eu não precise escrever poemas às onze horas da noite;

Desejo que meus vícios estejam abertos quando eu quiser passar
que todos os meus silêncios dêem pro Cristo
e que todos os domingos a TV não precise insinuar que eu não posso tê-la;

Desejo que nos carnavais eu não precise atravessar a passarela
que todos os rostos que eu beije sejam maçãs
e que as segundas-feiras não precisem chegar às onze horas da noite;

Desejo que as manhãs abram portas para rostos que eu beije
que todos os meus vícios dêem pro Cristo
e que às terças-feiras, nos intervalos da vida, eu possa tê-la;

Desejo que todos atravessem a rua e eu a passarela
que todas as janelas sejam carnavais
e que as quartas-feiras dêem maçãs pro Cristo;

Desejo que mordamos maçãs quando eu quiser tê-la
que o Cristo silencie quando eu beijar meus vícios
e que as quintas-feiras sejam intervalos da vida;

e que os intervalos da poesia escrevam dias -
sozinhos.

2 comentários:

Mariana disse...

Desejo que os seus desejos, e todos eles, em sua plena loucura e enorme variedade, tornem-se reais. Belíssimo texto moço...

Marco Medeiros disse...

O que é que a gente fala frente a um texto maduro de um poeta adulto?Como eu sempre digo, gabriel, seus poemas são poemas de gente grande. daqueles que, sem que a gente perceba, nos atravessam e nos cortam. Pro bem e pro mal. Parabéns, poeta