domingo, 27 de abril de 2008

lassidão

Muitas vezes tive que ir a braços
que não eram fáceis de abraçar
E dilacerei beijos em bocas
que não eram desejos de eu desejar

Tive que trair os livros que escrevi
quais palavras difíceis tive que cuspir?
Tantas letras vazias com palavras mais frias
e com certa agonia tive que desferir.

Já não sei se lembras das palavras quentes
que encobriam sementes de imaginação
e que eram ferventes entre os berços nascentes
dos rios correntes da falsa paixão.

Me obriguei a calar às demais agressões
E falar nas solenes encenações
E falei que amava, e falei que morria
Que sem tal fantasia não iria ceder

Mas voltei réu confesso dos erros perversos
e dos sentidos inversos da Nobre Paixão.
Fui um pródigo filho dos atos aflitos
E com certo sentido senti lassidão.

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