sábado, 31 de maio de 2008

Aquilo ali

Ou era um homem ou era o mar
ou eram as cinzas
as lágrimas sempre correntes
ou trechos dos mais pessimistas poetas
ou ainda o fechar das cortinas do teatro.
Ou era um homem.
Mas creio que não.
Aquilo ali parecia tudo menos um homem.
Tinha aspecto de qualquer coisa, menos...
Mas havia, ali, embora eu não tivesse percebido na hora,
um certo vestígio de calor
era um pequeno coração, um vestígio.
Era quase, ali, um homem,
mas era quase o mar (faltava a hegemonia)
era quase as cinzas (faltou antes o carnaval)
era quase lágrimas (faltavam os olhos)
era quase uma poesia (mas sem os ouvidos alheios, era uma erupção solar,
imperiosa, mas solitária).
Ou então, nunca se sabe, era um homem mesmo.

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