sexta-feira, 23 de maio de 2008

Aos terços

Olho para o lado vejo sempre
a cama desarrumada.

Nela se espalham livros,
telefones,
cadernos e roupas
e outras coisas que se perdem
naquele mundo de meus objetos de estimação.

Mas nada disso importa,
se na fronteira do mundo,
a luz me alucina,
rompendo as barreiras
do tempo,
do espaço e da ética.

Nessa fronteira eu perpasso,
às vezes sereno,
às vezes tenso,
às vezes dopado.
E me sinto em prazer,
mas que passa como qualquer prazer humano,

pois embora conexões
e plug-ins,
ainda há provas de que tenho um coração
que bate,
carnívoro,
sanguinário,
que sabe que chega a hora de desligar os fios
arrumar o leito,
guardar meu terço de vida física.

E solitário vou viver num mundo
em que o imaginário reina
como se fosse a última vida plena,
uma fuga providencial de toda noite.

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